Aproveitei o início da Primavera de 2018 para lançar oficialmente o deck Otiot. Este é o primeiro oráculo brasileiro baseado na sabedoria das 22 letras do alfabeto hebraico. [Update] No momento, ele está disponível na The Game Crafter em duas versões, português (US$18.99 + frete) e inglês (US$19.99 + frete). Também foi produzida uma edição nacional pela Editora Daemon (R$49 + frete).

O Projeto Otiot

Apesar de parecer novidade para muita gente, a primeira versão deste trabalho existe desde 2003. Por conta de fotos frequentemente compartilhadas nas redes sociais, em 2015 foram feitos workshops em São Paulo e Rio de Janeiro com este protótipo. Como não vi o interesse de muitas pessoas na ocasião, acabei deixando de lado. Além do módulo inicial sobre a natureza das letras, preparava um avançado com o desdobramento das demais informações que cada lâmina traz.

Otiot no Arouche
Primeiro workshot do Otiot no Arouche

O tema “letras hebraicas” voltou a ficar recorrente nas minhas aulas e atendimentos durante o ano de 2018. Começava a falar delas naturalmente para contextualizar situações ou dar conselhos. Entendi como sinal para retomar o projeto. A diagramação ficou por conta de Jorge Trabuco Design, o mesmo que fez para mim o logotipo do Zephyrus Tarot.

A natureza das otiot

Otiot é a palavra hebraica para “letras” (ot, no singular). Nada além disso. De acordo com a tradição cabalística, foi através da permutação das otiot que Hashem criou tudo o que existe. Mesmo a escolha da letra Beit para dar início à Criação foi uma decisão minuciosamente calculada. Quando todas as demais se apresentaram para cumprir esse papel, Hashem teve bons argumentos para recusar uma a uma.

bereshit

“No princípio criou Elohim os céus e a terra“. Esta é a sentença de abertura da Torá.

A outra forma de se compreender esta afirmação é percebendo que D’us criou o Alef-Beit antes da criação do mundo. É ensinado que palavra et (את) aparece duas vezes na sentença, sendo que a primeira cumpre apenas uma função gramatical, não havendo uma tradução para ela. Como é formada por Alef e Tav, representariam, então, todo o alfabeto – a primeira e a última letra, como o nosso A-Z. Daí que se interpreta que, no princípio, foram criadas as otiot; depois, os céus e a terra.

Existe um midrash (ensinamento da Torá Oral) que narra detalhadamente esse momento anterior à criação. Confira no link.

É preciso que se diga que o uso oráculos não é uma prática judaica aprovada pela ToráDevarim (Deuteronômio) 18:9-13. Apesar disso, sabe-se que homens com grande realização espiritual eram capazes de ver letras ao observar uma pessoa, objeto ou ambiente. Esta seria uma capacidade de, literalmente, ler a realidade ao seu redor. Através do reconhecimento dessas letras são identificados padrões de saúde (no aspecto mais amplo da palavra) e de desequilíbrio.

A melhor comparação a ser feita quanto a isso seria o momento em que Neo, o protagonista do filme Matrix, desperta e começa a ler o código-fonte de tudo o que se encontra ao seu redor.

As otiot corretas podem restaurar a ordem

A influência das otiot é tão grande que se uma família está passando por uma fase ruim (conflitos, escassez, doença etc.), por exemplo, pode ser que um rabino peça para verificar a mezuzá da casa. Sabe aquela caixinha afixada no lado direito da porta dos lares e estabelecimentos comerciais judaicos? Dentro dela existe um pergaminho com duas passagens da Torá escritas em hebraico.

Mezuzá

Em alguns casos, descobre-se que alguma letra está faltando, foi colocada a mais ou desgastou com o tempo. Isso pode atrair infortúnios. Essas histórias são muito comuns de serem contadas. Via de regra, quando o erro é identificado e o pergaminho é substituído por um devidamente revisado, a cura acontece.

D’bar: coisa e palavra

Em Israel, usa-se d’bar (pronuncia-se ‘dabar’) tanto para “palavra” quanto para “coisa”. Por isso mesmo que se entende que o nome de algo, em hebraico, o descreve em essência. Isso é possível através dos códigos que são extraídos da composição de letras, valor numérico e outros estudos.

Depois de criar Adam (Adão), Hashem lhe deu como primeira tarefa nomear tudo o que existia. Cada escolha trazia esta riqueza de informações que vão além da nossa atual compreensão.

Colocado dessa forma, fica fácil entender como uma consulta às otiot pode revelar a real natureza de uma situação. Eu, particularmente, gosto de diferenciar a “prática premonitória” da “prática oracular”, embora as duas sejam tratadas de forma similar. O premonitório se ocupa do futuro. E, ainda que possível, essa é uma utilização limitada da ferramenta.

Na arte oracular, por sua vez, trabalhamos o “Conhece-te a ti mesmo” gravado no Templo de Apolo, em Delfos. O que isso significa? A gente espera que o mundo seja um lugar melhor para que a nossa vida seja plena. O segredo, no entanto, está no autoconhecimento. Quando você a conhece a si mesmo, obtém o entendimento correto de tudo mais.

A estrutura das lâminas

estrutura do otiot

Cada lâmina traz em destaque a letra hebraica com o nome transliterado. Também a sua posição na Árvore da Vida, de acordo com o estabelecido pelo Arizal – Yitzchak (Isaac) Luria. Na lateral, temos uma pequena lista com o valor numérico seguido das regências planetária, temporal, da alma e do corpo disponíveis no Sefer Yetzirá, o Livro da Formação.

Nas edições da Game Crafter vêm um livreto de 20 páginas traz as definições básicas para cada letra. Uma versão ampliada será lançada posteriormente. A Daemon Editora optou por não publicar as instruções.

“Ah, Marcelo, eu queria comprar o importado, mas eu não tenho cartão de crédito internacional!”

Isso não é problema. Você pode comprar um cartão pré-pago internacional da Acesso, por exemplo. Você deposita o valor que deseja ter de crédito e utiliza apenas este limite, renovando sempre que precisar. Estou recomendando este porque já usei.

Aproveite e curta também a página do Otiot, o Oráculo das Letras Hebraicas no Facebook.

Possam todos se beneficiar!