✓ A agressividade do 5 de Paus é boa ou ruim?

É muito comum se atribuir competição ao 5 de Paus, mas nunca agressividade. Vamos trabalhar com isso trazendo alguns insights ao tema.

Animal Totem Tarot - agressividade
Animal Totem Tarot

Publiquei hoje um texto que ficou grande no Instagram, fazendo uso da área de comentários para caber, mesmo depois de várias edições para diminuir. Por conta disso, decidi repetir aqui, até mesmo por ter ficado feliz com o resultado.

Tirei duas cartas como mensagem nessa Quata-Feira de Cinzas (de 2021) e temos o Medicine Guardian, do Angels and Ancestors, acompanhando o 5 de Paus, do Animal Totem Tarot.

O Guardião da Medicina é uma carta interessante porque não faz promessa de cura, mas diz que você precisa ficar atento(a) para receber informações importantes que irão resultar na cura que você necessita – a correção não vem de fora, mas de dentro, a partir da consciência de algo.

Ele te lembra que o seu estado natural é de Totalidade e que é possível você retornar a ele.

O que vamos chamar de cura, nesse momento, está relacionada à curiosa representação do 5 de Paus do Animal Totem, que estampa um Ratel ou Texugo do Mel.

Observe 5 bastões pontiagudos voltados para ele na expectativa de contê-lo. É bem diferente do clássico Waite-Smith com 5 jovens brigando ou brincando entre si testando suas habilidades.

A agressividade do Texugo do Mel

O Texugo do Mel é tido como um dos animais mais corajosos do continente africano. Em um vídeo no YouTube, ele aparece enfrentando leões, hienas e cachorros do mato com ferocidade. A presa que põe o predador para correr.

Uma palavra que se repete muito ao descrevê-lo é “agressividade” e definir alguém como agressivo, de modo geral, tem uma conotação negativa. Resolvi pegar esse gancho.

É bom que tenhamos cota de agressividade. É ela que permite que criemos condições favoráveis para satisfazer uma necessidade vital.

Dentro do contexto do 5 de Paus (o tema agressividade, em si, é muito mais amplo que isso) é estar disposto a colocar a cara na janela ou pronto para confrontar o outro sem se esquivar.

Angels and Ancestors Oracle
Medicine Guardian

Rolou dia desses uma pessoa em consulta com dificuldade em dizer “não”. Ela não sabe o que é experimentar um 5 de Paus. Não contesta. Não se posiciona. Aceita relacionamentos que não lhe convém e trabalhos que não dá conta.

Jean-Marie Muller, em “O princípio da não-violência: uma trajetória filosófica”, diz que:

“Ser agressivo significa manifestar-me diante do outro, caminhando ao seu encontro. O verbo agredir vem do latim aggredi, cuja etimologia ad-gradi significa “caminhar em direção”, “ir ao encontro”. Apenas num sentido derivado agredir significa “caminhar contra”: isso se deve ao fato de que, na guerra, caminhar em direção ao inimigo significa ir de encontro a ele, ou seja, atacá-lo”.

Sem agressividade passaríamos a vida intimidados por pessoas ou situações sem reagir. Em um ambiente selvagem, pereceríamos em pouco tempo. Vivendo em sociedade, nos sujeitamos a todas as formas de abuso.

“A diferença entre o remédio e o veneno é a dose”, já proclamou Paracelso, no século XVI.

Quando explode a violência

Agressividade demais vira violência, destruição. Quando se vê tantas pessoas propagando a Comunicação Não-Violenta (CNV), não é para que sejamos todos cordeiros, mas para que a gente aprenda a se colocar melhor em todas as nossas relações.

O Texugo do Mel, no Animal Totem, é rotulado de badass (“durão”). O texto fala de autossuficiência em um ambiente hostil, mas vai para um lado que eu não gosto muito.

De novo dentro do meu conceito de régua imaginária, como anda o seu nível de agressividade? Você tem conseguido se colocar no mundo de forma assertiva? Tem conseguido negociar bem com as suas relações familiares, amorosas, fraternas e profissionais?

Por “negociar bem”, devemos ter em mente que ceder (abrir espaço para o outro) também faz parte do jogo. O termômetro é perceber se isso nos causa raiva ou angústia. Este é o nível intermediário (e variável) da nossa régua.

A agressividade do Ratel ou Texugo do Mel
Ratel ou Texugo do Mel

Nos níveis mais baixos, temos dificuldade em expressar nossos desejos (necessidades instintivas) e vontades (decisões deliberadas pela mente). A pessoa que diz que “não gosta de discutir” e tenta fazer com que isso soe nobre tem problemas sérios e muitas vezes não reconhece isso.

No outro extremo, temos o uso intencional de força física ou poder pessoal, por ameaça ou ação, que resulta em danos físicos, sofrimento psicológico ou privação, entre outros males.

Quando somos dominadores, invasivos e espaçosos, ocupamos essa porção da régua. Nossas palavras ferem. Elevamos as nossas vozes para compensar a falta sentido naquilo que defendemos.

Fica o convite do Guardião da Medicina para que você reflita e trabalhe sobre isso. Algumas dessas questões são excelentes temas de uma sessão psicanalítica. De novo: nem tudo a gente dá conta sozinho e isso também conversa bem com o Ratel.

Possam todos se beneficiar!

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