Lenormand: os pecados do Orgulho e da Vaidade

Orgulho e vaidade. A 8ª Mesa Redonda do Baralho Cigano, no Rio de Janeiro, acontecerá no dia 3 de agosto de 2019. Estou escrevendo antes da data, mas talvez você só leia depois. Este ano pegaram Website Os Sete Pecados Capitais para tema.

Fui chamado para substituir um dos participantes que teria um impedimento na data, mas depois a questão ficou acertada sem problemas. Mesmo com o convite para formarmos uma dupla, achei melhor deixar o evento correr como foi planejado inicialmente. O que me pediram eu fiz. E para não perder o trabalho que havia preparado, deixo “a minha apresentação” disponível aqui.

Entre aspas porque odeio telas de Power-Point repletas de texto. Se fosse para ler, as pessoas poderiam fazer isso sozinhas em casa… rs Então serei obrigado a escrever aqui, resumidamente e de forma mais disciplinada, o que falaria na ocasião.

Os Sete Pecados Capitais

Superbia, na Sibila Italiana

Como artigo isolado, não posso entrar no assunto sem contextualizar. Lá pelo século 4, foi o monge grego purchase Seroquel online without rx Evagrius Ponticus (345-399) o primeiro a relacionar, na obra “Origens Sagradas de Coisas Profundas”, as oito condutas repreensíveis aos olhos de D’us: Gula, Avareza, Luxúria, Ira, Melancolia, Preguiça, Orgulho e Vanglória. Vanglória é o outro nome para Vaidade. Soberba (Superbia, na Sibila Italiana) e Orgulho também são equivalentes. É comum encontrar um termo no lugar do outro.

Só para constar, “pecado” vem do latim, peccatum, que significa “delito”. De modo geral, gosto de falar do conceito judaico de pecado, mas ficarei devendo para não fugir do tema principal.

O Papa Gregório I (540-604) gostou da ideia e cunhou, em 590, a expressão “Pecados Capitais”. O “capital” vem de caput (“cabeça”). Todos os outros pecados derivam desses – isolados ou combinados. Para não dizer que copiou o trabalho do outro, deu uma editada na lista – ok, maldade da minha parte. O Orgulho passou a abarcar a Vaidade, Preguiça passou a se chamar Indolência e a Melancolia saiu para dar lugar à Inveja.

Em 1273, Tomás de Aquino (1225-1274), cujas obras servem de base para a formação de sacerdotes e teólogos até hoje, publicou a Summa Theologica com a versão que conhecemos. Para ele, o Orgulho é a raiz de todos os pecados, por isso corre por fora da lista, devolvendo a Vaidade para uma posição própria.

Orgulho não é sinônimo de Vaidade

É muito comum que as pessoas confundam Orgulho com Vaidade. Que tomem os dois pecados como o mesmo. Mais comum ainda é que se desconheça o real significado tanto de um quanto do outro. Importante esclarecer as diferenças para que se possa falar de Vaidade – o verdadeiro foco da apresentação – sem ruídos.

As pessoas perderam o hábito de procurar definições no dicionário. Começo exatamente desse ponto. Estas definições saíram do Google:

VAIDADE
substantivo feminino
1. qualidade do que é vão, vazio, firmado sobre aparência ilusória.
2. valorização que se atribui à própria aparência, ou quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais, fundamentada no desejo de que tais qualidades sejam reconhecidas ou admiradas pelos outros.

Vão, vazio, ilusório. O grifo no texto é meu. A Vaidade, de um modo geral, indica uma falta, um sentimento escamoteado de menos valia. Eu exacerbo um atributo positivo para que ninguém veja uma deficiência que me envergonha. Imagino que muitos estranhem esta visão. Calma.

ORGULHO
substantivo masculino
1. sentimento de prazer, de grande satisfação com o próprio valor, com a própria honra.
2. PEJORATIVO•PEJORATIVAMENTE sentimento egoísta, admiração pelo próprio mérito, excesso de amor-próprio; arrogância, soberba.

Cartaz de Lúcifer, a série de TV
Lúcifer, da série de TV com o mesmo nome

Lúcifer, o Pai do Orgulho

Dizem que o Orgulho surgiu com Lúcifer, o Anjo Caído. Em algum momento ele viu o seu reflexo e se achou belo. E não apenas belo, mas o mais belo dentre os seus iguais. Causou ali uma ruptura na engrenagem, pois os anjos funcionam/funcionavam como uma Unidade, cada um consciente do seu papel.

Toda vez que eu me coloco acima de outras pessoas, a minha atitude é orgulhosa. Ao me diferenciar, passo a achar que o mundo deve me tratar melhor porque, afinal, melhor eu sou. Orgulho e Arrogância caminham lado a lado.

Para não dizer que Orgulho é sempre ruim, existe uma exceção. Ele só se justifica quando aplicado a uma minoria discriminada. Esta é uma convenção recente. Por quê? Porque os opressores querem que essas minorias se sintam mal, que sejam banidas ou eliminadas. Mas aí, o Orgulho delas brada: “Você não vai me diminuir. Não vai me varrer para debaixo do tapete. Tenho tantos direitos quanto você”.

O Orgulho, neste caso, tem a ver com não se intimidar, não aceitar a segregação. O Orgulho LGBTQ+ é o melhor exemplo disso e agora você sabe porque o “Orgulho Hétero” é algo completamente estúpido.

O Orgulho no olhar budista

No Budismo, o Orgulho é considerado um dos, assim chamados, Venenos Mentais. É conhecido por Mana em sânscrito e Nga Rgyal em tibetano, dividido em sete categorias. Esta divisão é interessante porque ajuda a entender, de forma didática, como podemos ser picados pelo “Bicho do Orgulho”:

  1. Orgulho Simples ou Orgulho Menor, quando o indivíduo se iguala aos seus pares. Não conheço uma dissertação sobre cada um desses orgulhos, mas acredito que exista aqui uma mente deludida que não admite estar abaixo (ainda não ser boa o suficiente) dos demais. É ruim porque delusão é delusão, mas não é grave.
  2. Orgulho Maior, quando alguém pensa que é melhor que os seus iguais. Pode ser uma visão realista e não ter uma conotação grave enquanto não infla o ego.
  3. Orgulho Excessivo. Expressão bem comum para diferenciar aquele que está satisfeito com a sua própria realização (tudo bem ter este sentimento, que é satisfação, mas tem quem confunda com orgulho) e aquele que realmente se acha melhor do que os que são considerados ótimos. Mesmo quando se está apenas acima da média, a pessoa já se percebe destacada e especial.
  4. Orgulho de pensar “eu existo”. Eu não sei a explicação exata para esta definição na ótica budista, mas existe um aspecto do Orgulho em que o indivíduo pode pensar algo do tipo “só funciona/vai dar certo porque estou aqui” – de novo a questão da autoimportância.
  5. Orgulho Flagrante, a pessoa que acha que tem mais qualidade do que realmente possui.
  6. Orgulho de pensar que é um pouco inferior, quase uma falsa humildade: eu me comparo com aquele que é excelente e digo que estou um pouco abaixo, ou seja, mesmo assim eu me considero incrível.
  7. Orgulho Infundado, se aplica a alguém que sente orgulho por algo que nem qualidade é, pelo contrário. Temos vários exemplos disso, como o presidente que bate no peito e diz que é homofóbico mesmo, para citar um exemplo bem conhecido – vulgo, “orgulho de ser idiota”.

O Ambattha Sutta

Dentre vários sutras budistas, existe um, em especial, que narra o encontro de Ambattha com Buda. Também é chamado “o Sutra do Orgulho Ferido”, pois Ambattha nasceu de família nobre, era um erudito de primeira linha e abordou Sakyamuni de forma rude por se julgar acima deste dentro do mérito das castas.

“Se alguém se considera superior, igual ou inferior em razão do corpo que é impermanente, doloroso e sujeito a mudanças, o que mais é do que não ver a realidade? Ou se alguém se considera superior ou igual ou inferior em razão de sentimentos, percepções, volições ou consciência, o que mais é do que não ver a realidade? Se alguém não se considera superior, igual ou inferior em razão do corpo, dos sentimentos, percepções, volições ou consciência, o que mais é do que ver a realidade? ”- Ambattha Sutta

No estudo do Eneagrama, o Orgulho corresponde ao pecado do Tipo 2 – O Prestativo. Como este indivíduo emprega o seu esforço para “comprar” o afeto do outro, o Orgulho se alinha bem com a descrição 4, acima, o Orgulho de pensar “eu existo”. No momento que sente que está perdendo o controle sobre alguém, pode vir com esse tipo de argumento para vender culpa (“depois de tudo o que fiz por você”) ou ameaçar (“quero ver o que vai fazer sem mim”). Só por achar imprescindível já está errado, é bom deixar claro.

“Vaidade. Definitivamente o meu pecado favorito”

Vaidade faz parte da minha frase cinematográfica preferida de todos os tempos. Ela fecha The Devil’s Advocate (“O Advogado do Diabo”). Para resumir, Kevin Lomax (Keanu Reeves) é um advogado em início de carreira no interior da Flórida. Tem a fama de nunca ter perdido um caso. Então é convidado para integrar a equipe de um grande escritório de advocacia em Nova York. É a promessa de muitos ganhos e de uma vida nova. Ele aceita.

O dono é John Milton (Al Pacino), que também é, secretamente, o Diabo. Kevin é todo tempo manipulado para se sentir importante em um mundo de luxo distante de tudo o que havia experimentado. Rola um deslumbramento. Não sabe que foi escolhido para um esquema maior. Quando a trama chega ao final, ele “vence o Diabo” e volta ao tribunal onde estava no início do filme sem lembrar de nada (o filme é de 1997, então não tem essa de spoiler).

A diferença agora é que ele toma uma decisão diferente e isso muda a sua história, claro. Apesar da possibilidade de vir a perder a sua licença como advogado, parece que está tudo resolvido com a sua consciência. Eis então que um jornalista cola nele dizendo que aquilo pode ser a matéria do ano e tal, que o tornará famoso se ele conceder uma entrevista. Ele resiste por alguns segundos e depois concorda, marcando de conversar no dia seguinte enquanto vai embora. O rosto do jornalista se transforma e temos Pacino de novo com a sentença “Vaidade. Definitivamente o meu pecado favorito” porque foi por aí que seduziu o Kevin antes e a história tende a se repetir.

Cena final do filme “Advogado do Diabo”

O que desperta a sua vaidade?

Então, talvez Vaidade não seja o que você está pensando. A gente se refere ao vaidoso, de modo geral, como aquele que se preocupa (excessivamente) com a aparência. É o tipo mais comum e, provavelmente, motivo pelo qual me pediram para falar do Bouquet como o “aspecto positivo” da Vaidade. A gente já chega lá.

A Vaidade é uma tentativa do ego de nos tornar interessantes aos olhos de outras pessoas. E por que isso acontece? Porque, de verdade, não nos sentimos especiais. O investimento desproporcional (não saudável) em algum atributo pessoal indica uma falta de contato com as nossas verdadeiras necessidades emocionais. É sempre um movimento para fora, daí o exibicionismo, do que para dentro.

Alguns talvez percebam que estão interpretando um papel e isso acentue um sentimento de farsa, mas outros realmente se perdem na ilusão que criam para si e todos aos seu redor.

E aí, como a genética não favorecerá a todos, as pessoas descobrirão diferentes formas de evidenciar a sua vaidade. As referências utilizadas no carrossel não são de pessoas, necessariamente, vaidosas, mas ilustram algumas categorias. Há, inclusive, quem se envaideça até por não ter nenhum atributo próprio, mas ser próximo (parente ou amigo) de alguém com qualidades que são desejadas por outras pessoas. Hostis honori invidia, “a multidão honra a quem inveja”.

Existe algo positivo para extrair de um pecado?

Então, a organização do evento fez uma distribuição dos pecados entre as lâminas do Lenormand. Eu, sinceramente, só fiquei sabendo do que me cabia. Sei do nome dos demais palestrantes e seus pecados, mas não das cartas que cada um abordará. Acredito que serão sempre pares, pois a instrução, no meu caso, foi para que se destacasse o Bouquet como o aspecto positivo da Vaidade e a Raposa como o seu aspecto negativo.

A sorte de não me apresentar no dia é não causar qualquer mal estar dizendo que atribuir algo bom à Vaidade, para mim, não faz sentido. Não trato o pecado como um delito cristão, mas como uma fixação mental. E se é uma fixação, não tem como ser boa.

“Ah, lá vem o Marcelo…”. Não. Existe uma grande discussão clínica em torno disso: a Vaidade tem sido estimulada cada vez mais, disfarçada de autoestima e amor próprio, causando diferentes desvios de comportamento. Vivemos na era do “canavial de likes” onde se vende a falsa felicidade através das redes sociais porque ninguém quer se sentir fracassado ou “meramente normal”. Nada estimula mais a Mentira (termo que algumas vezes substitui a Vaidade no estudo do Eneagrama) do que a necessidade compulsiva de mostrar para o mundo que você é incrível ou tem uma vida excepcional.

Bouquet, a beleza efêmera

Um bouquet (ou ramalhete) é um apanhado de flores com finalidade ornamental. No momento em que é retirada do solo a vegetação tem o seu fim acelerado. Em pouco tempo estará murcha e com mau cheiro. Um tanto incomum que alguém descreva um bouquet dessa forma, mas sou desses.

Durante um curto período um arranjo pode enfeitar um ambiente, homenagear uma pessoa, seduzir uma mulher. É importante, no entanto, não perder esse sentido de passageiro. Algo que não se sustenta porque perdeu o contato com aquilo que verdadeiramente nutria.

Os atributos da cartas exaltam a beleza, a leveza e a alegria. Pessoas podem ser elegantes, agradáveis e delicadas. Quando associado ao pecado da Vaidade podemos levantar alguma preocupação com a importância que se dá à forma em detrimento do conteúdo, por exemplo. Também ao que se faz para ter uma boa visibilidade pública.

Palavras-chave do Bouquet

Para pegar um exemplo sempre presente, vamos falar dos, assim chamados, padrões de beleza. Eles afetam homens e mulheres. Causam graves transtornos mentais e problemas ligados à saúde. Para combater situações de baixa autoestima, surgiram movimentos na linha do Positive Body, onde as pessoas são estimuladas a apreciar a beleza inerente a todos. Serve para a forma como o indivíduo se olha e como olha os demais ao seu redor.

Todos têm o direito de serem tratados com equidade, independentemente da aparência. A gente pensa, mais facilmente, em obesidade, mas não se restringe a isso. Entram questões de etnia, imperfeições, etc. Não se trata, vale destacar, valorizar o sobrepeso na medida em que este possa trazer prejuízo à saúde, mas impedir que alguém tenha uma vida social, por exemplo, porque tem vergonha do seu corpo.

Seja como for, a Vaidade do Bouquet é mostrar quem você não é. Vale para quem ostenta um diploma falso (de Harvard ou qualquer outra instituição), quem floreia qualquer discurso para parecer inteligente, quem contrai dívidas enormes para manter um status de riqueza, quem tira fotos de comidas, baladas e lugares incríveis, mas se sente só e depressivo. A lista é longa, incluindo todas as situações em que cedemos a uma pressão social, como “homem que é homem não chora” e seus derivados.

Raposa, astúcia e arrogância

A mentira é um dos atributos da malandra Raposa. Esta é uma carta que, de modo geral, ou nos alerta para armadilhas ou nos orienta para termos uma atitude mais estratégica – o pensar com sagacidade.

Dentro da perspectiva do pecado da Vaidade, existe um conto que cabe como uma luva para o tema: A Raposa e o Corvo.

O corvo roubou dos pastores um pedaço de queijo, e foi instalar-se em uma árvore para comê-lo.

Naquele momento passava uma raposa esfomeada, que pediu um pedaço, mas o corvo fez um sinal negativo com a cabeça.

Foi então que ela começou a dizer que ele tinha todas as qualidades: era sagaz, voava, tinha uma linda plumagem negra. Só tinha um defeito: não sabia cantar como os outros pássaros.

Para provar que ela estava errada, o corvo abriu a boca para cantar, e o queijo caiu no chão. Ela o pegou imediatamente, e saiu dali, dizendo: “querido amigo, esse é o preço da vaidade! Quando alguém está lhe elogiando muito, deves sempre ficar desconfiado!” (peguei esta versão daqui)

A Raposa em um jogo pode ser o Al Pacino do Advogado do Diabo. Não é algo que, necessariamente, adiciona ou contradiz os atributos naturais da carta, mas fala da qualidade da abordagem.

Uma “conversa de Raposa” tradicional poderia ser alguém querendo vender terreno na Lua por um preço camarada, do tipo “oportunidade única” – dando aqui um exemplo caricato. Pela lente do pecado, no entanto, o foco está nas bajulações. Obviamente que a bajulação grosseira é facilmente percebida e não engana a maioria das pessoas. A Raposa, no entanto, não dá esse mole. É um alerta para quem faz elogios constantes, gosta de marcar presença, faz gentilezas, pode vir a estabelecer um vínculo romântico e por aí vai.

A diferença do primeiro para o segundo exemplo é que eu saio da esfera de oferecer alguma vantagem imperdível para fazer com que o consulente se sinta especial e, por isso mesmo, mais suscetível a sugestões.

Palavras-chave da Raposa

E se o próprio consulente for indicado como Raposa? Fiquei pensando em alguma situação em que isso pudesse acontecer. Talvez sirva de indicação para o oraculista e ele precisa ver como conduzir a consulta a partir dessa informação. O que passa pela minha cabeça é a pessoa que se queixa de uma condição de abuso, dependência (dela para com o outro) ou mesmo de uma certa subserviência. Se buscou ajuda, talvez alegue querer se libertar disso, mas a Raposa alerta para uma certa manipulação. O consulente se submete porque tem alguma agenda oculta nessa relação.

Existe um antídoto?

Não podemos falar de problemas sem apresentar soluções. Cada pecado tem a sua virtude correspondente. No caso do Orgulho, temos a Humildade. Para a Vaidade, apresenta-se a Autenticidade. Um estudo aprofundado sobre os pecados é interessante porque revela nossas falhas. Não as falhas pelos pecados em si, mas o que os motiva.

Quando descobrimos em quais necessidades a nossa criança interna não foi nutrida, ganhamos recursos para trabalhar com essas questões.

Pecados e Virtudes no Eneagrama

Como lidar com o Orgulho?

Fora de um contexto religioso, talvez, a Humildade vem sendo bastante questionada. Em em mundo extremamente competitivo, onde precisamos nos provar o tempo todo, a humildade, para muitos, virou sinônimo de fraqueza, subserviência, pobreza e adjetivos correlatos.

Dá para falar mil coisas a respeito e eu sugiro fortemente a leitura do ebook A Arte da Imperfeição, da Brené Brown, que fala sobre o poder da vulnerabilidade, da imperfeição, do fracasso. Eu acho difícil encontrar o livro físico e o ebook vejo sempre por menos de R$10. Se prefere impresso, tem A Coragem de Ser Imperfeito, da mesma autora.

Brené traça vários parâmetros para a conquista de um “coração pleno” (eu prefiro a expressão original, Wholehearted Living) onde chegamos à conclusão que “viver é experimentar incertezas, riscos e se expor emocionalmente. Mas isso não precisa ser ruim. A vulnerabilidade não é uma medida de fraqueza, mas a melhor definição de coragem. Quando fugimos de emoções como medo, mágoa e decepção, também nos fechamos para o amor, a aceitação e a criatividade. Por isso, as pessoas que se defendem a todo custo do erro e do fracasso acabam se frustrando e se distanciando das experiências marcantes que dão significado à vida”. Tirei esta frase da contracapa do livro.

Ser humilde é, antes de qualquer outra coisa, ser realista. Sempre haverá pessoas melhores e piores do que você em qualquer tipo de atividade. E se você é muito bom em ‘x’, talvez não seja em ‘y’ – e tudo bem. Lembrando do Ambattha, se tudo é impermanente e sujeito a mudanças, ser orgulhoso nada mais é do que não ver a realidade.

“No momento em que você sente orgulho, falha em ver seus próprios defeitos e fica cego às boas qualidades dos outros. Para curar isso, você deve sempre reconhecer suas próprias limitações, desnudar suas falhas ocultas, manter-se humilde, vestir roupas velhas e esfarrapadas e ter estima por todos, independente de suas qualidades” ~ Khenpo Ngawang Pelzang (1879 – 1941) – A Guide to The Words of My Perfect Teacher. fonte

Como lidar com a Vaidade?

Sobre Autenticidade, a questão é um tanto mais profunda. Você pode imaginar que ser autêntico é bancar suas escolhas, independente das opiniões alheias, mas existe um ponto mais importante nisso tudo. Somos verdadeiramente autênticos quando em contato com a nossa essência. É fácil ser do contra, por exemplo, quando isso também é uma forma de chamar a atenção. Em uma linguagem nerd, é a “matrix dentro da matrix”: você pensa que se libertou, mas continua preso à ela, só que em outra camada.

É preciso entender que o vaidoso tem uma natureza narcisista. O adjetivo nos remete ao mito de Narciso e você pode achar (de novo) que tudo tem a ver com beleza, mas não é verdade. O narcisista é aquele se alimenta da admiração alheia, tem sentimentos irreais de autoridade e espera que o mundo o trate de forma especial. De modo geral, adapta-se camaleonicamente ao meio como condição para ter essa atenção e quanto mais atende a essas demandas externas, mas se perde de si mesmo.

Buscar o Ser Autêntico (expressão usada no Pathwork que eu gosto muito) não é algo que cabe apenas aos vaidosos, mas todos nós. É um exercício de remoção das máscaras que, de verdade, não acaba nunca. Faz parte da natureza humana adotar máscaras para transitar pelo mundo com algum grau de aceitação ou para projetar suas idealizações. O vaidoso se diferencia apenas por ter isso exacerbado.

O caminho para a autenticidade não é para fora, mas para dentro. Quando em contato com o seu Ser Autentico, todas as expressões e escolhas são mais fluídas, um trabalho gradual que se conquista através do autodesenvolvimento, meditação e terapia. Quanto mais integrados estamos, menor a necessidade de performar para os outros.

Esta é a minha contribuição para o tema e espero que toque cada um da forma que se faz mais necessário no momento.

Possam todos se beneficiar!

Abaixo, o Power Point que preparei para a apresentação: